Tenho me encantado por pessoas bem ajustadas e eu não sei se isso é bom.
O que me atrai nesse tipo de gente é a sua simplicidade. Como é possível alguém estar tão bem ajustado, tão de acordo, com o caótico mundo em que nós vivemos? Eu não tenho essa resposta e, talvez, seja justamente por isso que eu não me enquadre nessa paisagem meio sombria.
Não é que eu levante bandeiras de revolução ou tenha fé de que alguma coisa vai mudar. Não, eu já não acredito mais nesse tipo de utopia. Eu acho que é ruim e será ruim para sempre. E cabe a nós irmos nos moldando de forma que consigamos sobreviver e, até, quem sabe, encontrar formas de ser feliz.
Acontece que eu não sou simples e, consequentemente, não sou bem ajustada. Eu vivo constantes conflitos internos onde questiono se aquilo que me dará uma boa vida é o correto perante meus julgamentos de mundo. Geralmente eu acho que são opostos, mas minha mãe sempre me diz que não devemos ser radicais. Então, assim, vou tentando me construir de um jeito ainda desajustado e insatisfeita.
E aí aparecem pessoas tão ok, tão de acordo… Não tem como não me encantar, entende? Eu, cheia dos conflitos, tão complexa, uma alma conturbada em um corpo que não a comporta, como poderia evitar seres humanos que expelem paz pelo mundo? Não tem como. Eu acho que sinto uma invejinha dessa paz…
Entretanto, sendo conturbada como sou, não posso simplesmente desejar essa paz e deixar por isso mesmo. Fico aqui pensando se ter essa paz é algo positivo de fato. Porque eu não quero ser mais uma seguidora do sistema, que perdeu a capacidade de questionar, de apontar, de dizer que está errado e seguir sob o teto de todas as ditaduras – explícitas e não explícitas – em que vivemos.
Pode ser que eu não tenha “saúde mental”, mas Albert Camus também não tinha. E se eu puder ser como ele, acho que está ótimo para mim.









