Pronto, resolvi me manifestar. (yey, me matem)
Acho que a galera sabe que rolou um fight tenso por conta de uma vó de 64 anos, psicóloga, que atualizou seu site trollando blogs literários, ofendendo geral, dizendo loucuras, etc, etc etc.
No grosso, o que ela quis dizer?
- VOCÊ NÃO TEM CULTURA. (pronto, todos surta). Vamos ignorar a arrogância, a insanidade, a prepotência e seu comentário absurdo sobre Fahrenheit 451? Isso aí, ignoramos.
O fato é: você não tem cultura mesmo. Nem eu, nem você e isso dói. A maioria de nós nunca leu clássicos além do que fomos obrigados na escola e eu não vejo nenhum absurdo nisso, visto que temos na faixa dos 20 anos. Mas sério que você pretende chegar aos 30 assim? Porque eu não pretendo.
Não estou falando mal de ninguém, estou constatando os fatos. Que ela é louca todos nós já percebemos, mas será que todos conseguem perceber que a opinião dela, a grosso modo, não tem NADA de errado? Ou todo mundo aqui vai dizer que é exemplo de cultura? Que somos uma geração engajada culturalmente? Somos os fodões? NÃO, NÃO SOMOS.
Ler só clássico é utopia, não ler clássico é o cúmulo. Todo mundo pode ler o que quiser, mas também não pode se achar no direito de se sentir ofendido quando alguém pega e ressalta que você nunca leu nada de útil na vida. Gosto de best seller (da época de A menina que roubava livros, ok?), li mais best seller do que qualquer outra coisa e me diverti. Mas por que que LER tem que ser meramente diversão? Li Dom Casmurro e achei um saco. Li Dom Quixote e gostei. Tem clássico bom e clássico ruim, assim como best seller bom e best seller ruim. E só tem UM jeito de avaliar isso. Adivinha qual é? LENDO.
Eu sei que somos os filhos da revolução que deu errado, uma geração desiludida pelo fracasso dos nossos pais e que por isso vivemos nesse mundinho de merda onde nada tem importância e ninguém tem esperança. Mas não seria bonito a gente se dar o trabalho de conhecer um pouquinho do passado? Ninguém tem que viver no museu, não. Mas por que não aproveitar as coisas boas? Temos autores incríveis nesse país, vivos e mortos. Não estou falando de Machado ou José de Alencar, falo de Rubem Alves, Caio Fernando Abreu e até nossa Clarice Lispector. O mundo tem Dostoiévksi, George Orwell e tantos outros. Há várias épocas, décadas, e tudo tem seu lado bom e ruim.
Não existe só merda na atualidade. Mas juro que não entendo o motivo pelo qual nós temos que nos contentar com mediocridade. Não entendo porque devemos nos prender ao best seller só porque a narrativa é mais atual ou mais interessante. Enquanto você não der uma oportunidade a sabores diferentes não vai poder dizer o que é bom ou ruim.
Não é porque um autor clássico é uma merda que todos sejam!
E quando eu tiver filhos, sim, eu quero que ele leia Romeu e Julieta. Eu espero que ele possa ler Harry Potter e Fahrenheit 451. Espero que ele goste de Alice no país das maravilhas e de Millennium. Espero que ele tenha uma formação boa o suficiente para estar apto a julgar o que ele quer levar e o que ele quer descartar, assim como eu espero ter isso daqui para frente.
É, é um texto generalista, mas vcs queriam mesmo que eu avaliasse caso por caso? Não dá, né.
Meu conselho então é esse: chega de bater boca com a mulher, chega de se sentir ofendido e vamos CONHECER. Vamos tomar as críticas que ela nos fez tão arrogantemente e aproveitar o que é bom. Vamos ler clássicos TAMBÉM e então julgar. Mas não porque ela criticou, foda-se a opinião dela, vamos fazer isso por nós. Porque nós não queremos ser mediocres. Porque nós temos acesso a cultura e queremos aproveitar tudo o que há de melhor.
Um beijo!









